Alimentação e quociente intelectual – Doctissimo

Alimentação e quociente intelectual – Doctissimo

Doctissimo: você Tem o cérebro necessidades nutricionais específicas?

Jean-Marie Bourre: Este órgão precisa de um equilíbrio entre os nutrientes. No total, o são imprescindíveis mais de 40 substâncias diferentes! Entre elas, os ácidos gordos omega-3 participam da estrutura do cérebro, o que faz dele o órgão mais gorduroso do corpo, atrás apenas do tecido adiposo. Para funcionar corretamente, os neurônios precisam de energia: a glicose é o combustível principal do cérebro. A vitamina B1, presente em cereais, verduras, legumes e frutos secos, é como a chama que ilumina o motor que permite utilizar este glicose.
Por último, o cérebro precisa de combustível: o oxigênio. O ferro está intimamente relacionado com a capacidade intelectual, já que transporta oxigénio através da hemoglobina do sangue até o cérebro. Alguns estudos têm demonstrado que o quociente intelectual dos filhos de mães com falta de ferro é mais fraco. Assim, há que consumir alimentos como a morcela ou o fígado, que fornece as quantidades de ferro suficientes.

Doctissimo: Os omega-3 são muito importantes, como podemos saber se você ingere as quantidades necessárias?

Jean-Marie Bourre: Na verdade, poucos alimentos contêm esses ácidos graxos… O que explica suas contribuições, insuficientes na alimentação dos espanhóis, que consomem somente a metade dos 2 g recomendados por dia em adultos. No entanto, só há que escolher bem os produtos: 1 colher de sopa de óleo de colza (de nozes ou de soja) em uma salada é suficiente para cobrir a metade de nossas necessidades diárias.
Para completar estas quantidades, você tem que consumir uma porção de peixe gorduroso duas vezes por semana: sardinhas, arenque, salmão ou cavala. Mas cuidado com o salmão: existem grandes diferenças entre as espécies selvagens, até 40 vezes mais ricas em omega-3 e as de piscicultura. Os ovos também são ricos em omega-3, sempre e quando as galinhas tiverem sido satisfeitas. Por último, hoje existem produtos enriquecidos com ômega-3, como os ovos, o presunto, o leite, graças à presença de ácidos graxos na alimentação dos animais.

Doctissimo: o Que alimentação têm de seguir os jovens que estão a estudar para os exames?

Jean-Marie Bourre: Um dos maiores perigos é o lanche, que provoca uma hipoglicemia reaccional, ou seja, uma queda da taxa de açúcar no sangue, o que reduz de 30% para 35% das capacidades intelectuais. Assim, em períodos de exames, por exemplo, não deixar que o stress nos domine e manter refeições regulares e completas. As proteínas devem estar presentes em cada refeição, pois intervêm na interconexão de neurônios.
Na prática, isso significa uma porção de carne ou peixe no almoço e jantar e leite para o café da manhã, já que é uma fonte de proteínas, mas também contém água (para a reidratação) e cálcio (para a ossificação). Por outro lado, a atividade intelectual depende diretamente do tempo de sono e de sua qualidade. Há que dormir o suficiente e evitar os picos de glicose durante a noite, consumindo, por exemplo, umas ameixas antes de se deitar.

Doctissimo: quais os alimentos Que devemos consumir para evitar ou retardar a morte neuronal?

Jean-Marie Bourre: O mais importante para os neurónios é que estejam constantemente estimuladas por uma atividade intelectual. Mas também devem estar permanentemente alimentadas: um aporte energético caótico faz com que os neurônios sejam mais frágeis e pode mesmo vir a destruí-los. Certas substâncias consumidas em excesso, como os ácidos graxos saturados (presentes nos lipídios de origem animal) se oxidam e se transformam em radicais livres, os piores inimigos de neurônios.
Daí que sejam interessantes dos elementos antioxidantes: vitamina E, presente em óleos vegetais, o ß-caroteno presente nas cenouras, espinafre e os damascos, a vitamina C das frutas cítricas e outros oligo-elementos, como o selênio ou o cobre.

Doctissimo: Por fim, é caro alimentar nosso cérebro corretamente?

Jean-Marie Bourre: Não, a saúde mental se reduz a um custo mínimo: o dos alimentos consumidos. Partindo de nutrientes essenciais contidos nos alimentos e classificando-os por ordem de preço, obtemos um resultado inesperado e muito interessante. Por exemplo, espinafre que contribuem com magnésio e vitamina B9, em grandes quantidades, têm um preço irrisório. O magnésio limita o cansaço e ajuda a combater a ansiedade, enquanto que a vitamina B9 intervém sobretudo na memória.
O zinco das ostras apresenta uma melhor relação qualidade/preço é duas vezes mais barato do que as lentilhas e de 3 a 4 vezes mais barato do que um bife. Os ovos trazem, por um custo mínimo, proteínas de alta qualidade, ácidos graxos essenciais e vitaminas A, B2, B5, B12 em quantidades significativas. No total, a metade do que o organismo precisa de cada dia nos custaria cerca de 3 euros por pessoa.

C. Bourganel

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