As melhores e piores dietas para 2019

As melhores e piores dietas para 2019

Com a chegada da primavera, começa a época típica para começar um regime, no hemisfério norte, com vista para o verão. A Cada ano, são propostas novas dietas, com nomes o mais impressionante como ‘a dieta da bela adormecida’ ou ‘ketodieta’, sem esquecer ‘a dieta gourmet’. Mas, entre todas elas, quais são seguras para o nosso corpo e o que é melhor evitar?


Especialistas em nutrição do Instituto Médico Europeu da Obesidade em Portugal fizeram uma lista das 10 dietas mais populares de 2018, as que estão mais em voga e são divididas em dois grupos, cinco como as melhores dietas 2018 e cinco como as piores.



Pelo quinto ano consecutivo, o Instituto Médico Europeu da Obesidade (IMEO) lança seu tradicional ranking com as dez dietas mais populares que ganharam protagonismo em Portugal durante o ano passado, deixando claro que nem tudo que está na moda vale.


Em duas listas independentes, em ordem decrescente, de um a cinco, IMEO apostila as melhores e piores dietas para o ano de 2018, que são tendência na atualidade entre os que procuram perder peso, volume ou simplesmente uma melhora na saúde, afirmando que os meios de comunicação nem sempre justificam a meta e o que nos parece milagre hoje, pode trazer dores de cabeça no dia de amanhã.


Mais uma vez, ressurge com força o boom dos métodos de emagrecimento, de autor, impulsionados por celebridades ou simplesmente que se tornaram virais nas redes sociais. Porque desprender-se dos quilos a mais sempre é um dos propósitos de ano novo, mas quando o que está em jogo é a saúde, o último que você tem que fazer é lidar com isso de forma leve.


O presente Ranking do IMEO é reflexo de um trabalho conjunto, apoiado por um grupo de especialistas em obesidade e cuidados de saúde, entre eles médicos, nutricionistas, psicólogos, naturopatas e cirurgiões. Se nutre de casos reais observados em consulta, estudos científicos e classificações sérias, como a lista da Associação Britânica de Nutricionistas (BDA, na sigla em inglês) com as piores dietas do ano ou da publicação ‘U. S. News & World Report’, embora estes dois últimos oferecem uma avaliação a nível local, de difícil acesso para os peninsulares e, portanto, longe de nossa realidade.


Também é o Google Trends, que indica as dietas mais procuradas em Portugal durante 2017. “A demanda de um tipo de dieta se esta não significa que é melhor, nem a mais adequada para nós”, ressalta Ruben Bravo, especialista em nutrição e porta-voz do Instituto, enfatizando sobre a possibilidade de ter que lidar com múltiplos efeitos colaterais e, entre eles, um posterior efeito rebote.


Neste sentido, desde o IMEO lembram-se de que os métodos de emagrecimento saudáveis sempre se baseiam em evidências científicas, propõem uma perda de peso progressiva, sem ultrapassar os 1,5 Kg por semana e os 6Kg por mês. Se serve de todos os grupos de alimentos, restringindo as quantidades de alguns mais calóricos e menos saudáveis, contribuem para treinar os hábitos alimentares e manter um estilo de vida saudável.


As menos indicadas

Em geral se caracterizam por ser demasiado restritivas e incompatíveis com a vida social normal. Prometem perder muito peso em pouco tempo. Falta de embasamento científico e, muitas vezes, recorrem a produtos naturais atribuyéndoles poderes milagrosos.

Deixam profunda impressão em saúde: múltiplos efeitos secundários e um posterior efeito rebote. Não são sustentáveis a longo prazo e totalmente desencorajadas para conseguir uma perda de peso saudável.


1. Método de a Bela Adormecida

Este método para perder peso que se espalhou nas redes sociais consiste em dormir durante longos períodos de tempo, para evitar comer, recorrendo a analgésicos e sedativos, que podem acabar por criar dependência, além de sérios problemas para a saúde. “De início, há que salientar que não se trata de uma dieta, pois não se especifica um regime de alimentação, mas sim, um “truque” para perder peso, nada saudável, que consiste em passar muito tempo sem comer e que pode promover o aparecimento de alguns distúrbios comportamentais, como a anorexia”, afirma a nutricionista do IMEO Andrea Marques. O consumo de medicamentos com efeito sedativo, que em sua maioria causam dependência pode levar a descontrolar as tomadas e a uma overdose que, por sua vez, pode levar ao coma ou à morte.

Forçar o corpo a dormir mais do que o que você precisa não é nada saudável, e pode ter também conseqüências psicológicas. A idéia de afastar-se da vida e permanecer na cama poderia ser atraente para aqueles que já sofrem de distúrbios alimentares ou depressivos. É óbvio que, se não comemos adelgazaremos, mas, devido à falta de vitaminas e nutrientes em breve aparecerão consequências como dor de cabeça, alucinações, perda de equilíbrio, alterações de humor, incapacidade de conciliar o sono de forma natural, início de depressão, atrofia muscular e dependência aos medicamentos utilizados.


2. Dieta da língua do diabo

É a última moda em truques e suplementos milagre para perder peso que algumas famosas já usam para perder até quatro tamanhos em pouco tempo. Trata-Se de uma planta originária da Ásia oriental chamada “língua do Diabo” por sua cor, textura e odor. O segredo que esconde o amorphophallus konjac (nome científico) é o seu alto conteúdo de glucomanano, um ingrediente ativo que é capaz de absorver até 50 vezes o seu peso em água. Os especialistas compararam este tipo de fibra que vem do caule da planta, com uma banda gástrica devido ao que se expande no estômago e ajuda você a se sentir saciado por mais tempo.

Apesar de que os nutricionistas alertam que somente deve ser usado como parte de uma dieta controlada, o ingrediente foi aprovado cientificamente pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) como um suplemento seguro para ajudar a perda de peso.


Graças ao seu baixíssimo percentual calórico, está sendo utilizado como ingrediente em gamas de produtos dietéticos, como shakes ou suplementos que são adicionados a outros, tais como as proteínas em pó, e, também se pode encontrar na forma de farinhas, compotas e como um substituto para a gelatina para pessoas veganas.


Não obstante, os especialistas em nutrição indicam que, embora possa contribuir para a perda de peso ao produzir a saciedade, não está demonstrada a sua capacidade de absorve gorduras. Além disso, o uso de glucomanano não está isento de contraindicações e efeitos colaterais e deve ser refletido nos produtos que o contêm.


3. Ketodieta

Um grande número de celebridades que se relacionam com esta dieta, entre eles Kim Kardashian, Kobe Bryant e Alec Baldwin.

A premissa é uma dieta baixa em carboidratos, rica em proteínas, e moderada em gorduras com hidratos de carbono provenientes de vegetais sem amido, nozes e sementes. O objetivo é levar o corpo a um estado de “cetose”: ao não poder obter a glicose dos carboidratos, se decompõe a gordura para produzir energia.


A resposta de porque algumas pessoas funciona a ketodieta está em prescindir de um alimento específico, que habitualmente se consome junto com outro, ainda mais calórico. “Não comer carboidratos, você evita comer as coisas carregadas de calorias que geralmente os acompanham: se reduzir a massa, não toma o molho cremoso; se prescindes do pão, limpar a manteiga; quando não toma biscoitos, não consumir o açúcar, que levam”, aponta como exemplo Andrea Marques.


O perigo está em que se pode perder muita fibra com esta dieta, o que é importante para a saúde intestinal. Além disso, ao eliminar os grãos integrais do menu, privamos o corpo também de muitas vitaminas e minerais. Em conclusão, a dieta cetogênica, de acordo com os especialistas do IMEO, pode ser eficaz para perder peso a curto prazo, mas com resultados difíceis de manter no tempo.


4. Dieta Alcalina

Entre seus seguidores figuram Tom Brady e a duquesa de York.

A dieta baseia-se na teoria de que se pode mudar o equilíbrio de pH (nível de acidez) do corpo e do sangue através dos alimentos ingeridos, apesar de que, atualmente, não existe evidência substancial que sugira que isso seja possível.


Os defensores dessa dieta afirmam que os altos níveis de “excesso de ácido no corpo contribuem para uma variedade de condições de saúde que incluem artrite, osteoporose, doenças renais e hepáticos, e até mesmo câncer.



Sugerem comer “alimentos alcalinos”, principalmente frutas e legumes, para corrigir os níveis de acidez e depurar o organismo de substâncias químicas.


Alimentar-se principalmente de frutas e legumes, como a maçã, abacate, espinafre, limão, pepino ou cenoura, contribui para reduzir as calorias e portanto perda de peso, mas devemos ter claro que o pH destes alimentos não afeta o pH do sangue. “A dieta alcalina falta de evidência científica e esconde um risco para a saúde ao excluir grupos alimentares inteiros, como a carne, peixe ou alimentos processados, todos eles necessários por ser uma importante fonte de proteínas e nutrientes essenciais para manter-se em equilíbrio nutricional”, apontam os nutricionistas do IMEO.


5. Dieta Vegan Cru

Gwyneth Paltrow, Megan Fox e Sting são alguns dos celebtiries que expressaram o seu apoio a uma dieta vegana com base no consumo exclusivo de alimentos crus.

Os partidários desta corrente do veganismo definem os alimentos crus, como qualquer coisa que não tenha sido refinada, conservas ou processado quimicamente, e que não tenha sido aquecido a mais de 48ºC. Argumentam que a aplicação de calor destrói algumas das enzimas naturais em alimentos e em que o processo se perdem nutrientes. Portanto, como técnicas culinárias usam a germinação, a fermentação, o líquido, o triturado e a desidratação. Fato que explica a dificuldade de combinar esta dieta com uma vida social normal ou de comer em restaurantes que não são raw food.


Ser vegano não é uma abreviatura de saudável e requer um planejamento cuidadoso para assegurar-se de não perder nutrientes importantes ao prescindir de todo alimento de origem animal. Fazem falta amplos conhecimentos em matéria de nutrição e suplementação sistemática de vitaminas B12, D, ferro, cálcio e ácidos graxos Omega-3. “O nosso conselho para os que, apesar das contra-indicações, se submetem a uma dieta vegan cru, é um exame de sangue e outros exames rápidos de forma regular para detectar a tempo as deficiências nutricionais que possam aparecer”, sublinham os especialistas do IMEO.


As mais saudáveis


As dietas que podem ser considerados saudáveis se propõem a uma perda de peso moderada –até 1,5 Kg por semana e não mais de 6Kg por mês–, fácil de manter no tempo e sem efeito rebote. Se serve de todos os grupos de alimentos, restringindo as quantidades. Contribuem para treinar os hábitos alimentares e manter um estilo de vida saudável.


1. Dieta dos superalimentos

“Mais que uma dieta, trata-se de um modelo de alimentação baseado na inclusão em nosso cardápio diário dos chamados “superalimentos””, ressalta Carmen Escalada, nutricionista clínica do IMEO.

Em muitos casos, estes não são mais do que alimentos exóticos, pouco conhecidos ou em desuso alguns exemplos seriam a quinoa, as bagas de goji, cúrcuma, gengibre ou as sementes de chia, que não só têm a capacidade de nutrir-nos, mas também de ajudar a melhorar a nossa saúde ou prevenir doenças ou males.


A redução de peso que se pode alcançar com a ajuda dos superalimentos depende muito do modelo global de alimentação, em que se incluem, e, se ele é adequado, você pode perder até um quilo de gordura por semana.


O crescimento que estão tendo se deve a que, para a maioria deles estão cientificamente comprovadas as qualidades que lhes são atribuídas, entre as quais estão o reforço do sistema imunitário, melhora a digestão, redução da constipação, melhora dos níveis de colesterol e o maior controle da glicemia.


No entanto, e apesar de que a nossa saúde pode se beneficiar da inclusão em nossa dieta de um ou vários desses produtos, há que se lembrar que de maneira nenhuma compensam uma alimentação insana ou desequilibrada, não curam doenças e também não tornam um produto ultraprocesado em saudável pelo mero fato de o incluir na sua composição.


2. Dieta dos micronutrientes

Os micronutrientes são substâncias químicas que nosso corpo necessita em quantidades muito pequenas que são fundamentais para regular vários processos no organismo: metabolismo dos macronutrientes, no equilíbrio dos fluidos corporais, desenvolvimento e manutenção de ossos e dentes ou transporte de oxigênio, entre outros.

Uma dieta focada em micronutrientes seria aquela que busca organizar a nossa alimentação, tendo como base os requisitos nutricionais, uma vez que o seu défice ou excesso prejudica a saúde.


A redução de peso que se pode obter com este modelo é de aproximadamente um quilo de gordura por semana. “Isto se deve a que, por um lado, o nosso corpo funciona de uma forma muito mais eficaz e que, ao segui-la se melhorarão hábitos e vai caber também o consumo de macronutrientes e energia”, explica Escalada. Esta dieta funciona porque nos obriga a ajustar a nossa forma global nos alimentar e gerar melhores hábitos. Além disso, ajuda-nos a evitar os problemas causados por deficiência nutricional, como a resistência à insulina, anemia ou hipotireoidismo, ou por causa de seu excesso, como cálculos renais, deficiências na absorção de outros nutrientes ou males gastrointestinais, sendo todos eles mais do que comprovados cientificamente.


Por tudo isso, e ao igual que no caso dos superalimentos, a dieta dos micronutrientes pode ser uma boa opção para controlar o nosso peso com a ajuda profissional, mantendo um nível ótimo de saúde.


3. Dieta gourmet

Uma dieta gourmet seria aquela que se propõe a emagrecer, sem renunciar ao prazer, nem passar fome, com base no consumo controlado de produtos considerados gourmet, como presuntos, queijos, vinho, azeite, frutos do mar e peixes, carnes, enchidos ou chocolate.


Assegura que, seguindo este plano para emagrecer, combinado com exercício físico regular, pode perder mais de um quilo por semana.


A chave, neste caso, não está no que você come, mas sim na forma de preparação ou cozimento e a moderação das quantidades. Entre as vantagens deste tipo de dieta com a nutricionista do IMEO Mireia Elias destaca que permite comer de tudo, sem passar fome e sem provocar ansiedade por restringir grupos inteiros de alimentos; em sua maioria utiliza produtos naturais, reduzindo o consumo de aditivos artificiais não saudáveis; ensina-o a desfrutar da comida, com receitas de pratos variados e saborosos; é possível manter-se no tempo e, ao não permitir perder muitos quilos por semana, evita o efeito rebote de muitas outras dietas.


Como desvantagens, há que se destacar o seu custo elevado, devido ao preço dos ingredientes, e a necessidade de ter noções de cozinha ou contar com um livro de receitas saudáveis gourmet, moderado ou baixo aporte calórico. Esta dieta podem seguir todo o tipo de pessoas, exceto alérgicos ou intolerantes que devem evitar aqueles alimentos causadores das mesmas em diferentes pratos.


4. Dieta baixa em hidratos de carbono

A dieta baixa em hidratos de carbono baseia-se no conceito de que os índices glucémicos e a crononutrición. Trata de obter um certo equilíbrio nutricional, sem excluir nenhum grupo alimentar, mas controlando o consumo de hidratos de carbono que possam dificultar a perda de peso em alguns pacientes, como por exemplo mulheres em menopausa ou em pacientes que não têm uma vida ativa nem praticam exercício físico.

“Não é uma dieta cetogénica, mas que trata de excluir os hidratos de carbono simples, de alto índice glicêmico (açúcar e derivados), mantendo-os carboidratos de menor índice glicêmico (frutas, verduras, legumes etc.) e consumiéndolos no momento mais adequado para cada paciente”, diz a nutricionista do IMEO, especialista em dietética, Andrea Marques.


Ao não excluir nenhum grupo alimentar, este regime pode ser adequado para qualquer pessoa, pois não tem contra-indicações. Além disso, é fácil de se adaptar aos hábitos ou gostos de cada paciente, dentro de critérios adequados, marcados por um nutricionista, nutricionista ou endócrino.


As dietas baixas em hidratos de carbono, além de ajudar a emagrecer, melhorar o estado de saúde e podem reduzir o risco de certas doenças relacionadas com o aumento de massa gorda, como hipercolesterolemia, hipertensão ou diabetes. São eficazes a longo prazo, já que, corretamente adaptados que são fáceis de manter no tempo e podem nos ajudar a perder entre 2 e 4 quilos por mês de forma saudável.


5. Dieta genética

A dieta genética baseia-se em personalizar a alimentação do paciente em função dos resultados de um teste de DNA prévio. A realização desta análise é muito útil não só em uma dieta destinada a perder peso, mas também para a hora de prevenir e tratar várias doenças, desde cardíacas e digestivas até diferentes tipos de câncer e, claro, a obesidade.


O teste genético surge do desenvolvimento da nutrigenómica, ciência que determina a forma como nosso corpo responde perante os nutrientes que ingerimos. Para obter uma amostra de nosso genoma se realiza um teste simples de extração através de saliva e analisa a informação genética relacionada no nosso caso, com o metabolismo do paciente. Finalmente, elabora-se a orientação dietética tendo em conta os resultados do teste genético, o sexo, a idade, a constituição física, bem como os hábitos e preferências ou gostos do paciente, na medida do possível.


O objetivo final é que o paciente regule seus hábitos alimentares, tendo em conta toda a informação adquirida através do teste e obtemos assim, tanto a perda de peso, como um melhor estado geral de saúde e a prevenção de algumas doenças ou distúrbios metabólicos que possam aparecer a médio ou longo prazo.


“Não se trata de uma dieta restritiva, mas de uma mudança global de hábitos de alimentação e de saúde que o paciente possa manter a longo prazo e que permite a baixar entre 3 e 4 quilos por mês”, aponta Andrea Marques.


A principal desvantagem pode ser o seu alto preço, já que sairia da realização do teste genético para depois continuar com o acompanhamento nutricional. Embora o genoma humano há mais de uma década sendo estudado, ainda há muita pesquisa, o que fará com que os resultados destes testes mais precisos e completos